Valores não são metas
Na ACT, um valor é uma qualidade de ação escolhida e em andamento («ser uma mãe presente», «cuidar dos outros»), não um resultado que se alcança e se risca da lista. Essa diferença importa no luto: a pessoa não pode recuperar o que perdeu, mas pode continuar agindo de acordo com o que aquela relação a ensinou a valorizar.
Exercícios que funcionam na clínica do luto
- «O que você valorizava nessa relação?»: explorar quais qualidades da relação fazem a perda doer e como podem continuar.
- Carta ou conversa imaginária: escrever à pessoa falecida sobre o que aprecia e como quer honrá-lo.
- Domínios de vida: revisar família, amizade, trabalho, saúde e comunidade para ver o que foi sendo deixado de lado.
- Questionários: o Valued Living Questionnaire pode ajudar a abrir a conversa.
- Pequenas ações: escolher um gesto concreto, de baixo custo, coerente com um valor, para esta semana.
Cuidados ao trabalhar valores
Os valores não devem ser usados para apressar o luto nem como uma forma de «se distrair da dor». Com frequência, o mesmo valor que orienta a ação é o que faz doer: sofre-se porque se ama. Convém respeitar o ritmo da pessoa, permitir que apareçam a culpa e a tristeza e não impor valores do próprio terapeuta.
Vale também distinguir entre valores e regras rígidas («um bom filho nunca deixa de chorar»), que podem prender a pessoa em obrigações mais do que em escolhas livres.
Para se aprofundar
- Hayes, S. C., Strosahl, K. D., & Wilson, K. G. (2012). Acceptance and Commitment Therapy: The Process and Practice of Mindful Change (2.ª ed.). Guilford Press.
- Wilson, K. G., Sandoz, E. K., Kitchens, J., & Roberts, M. (2010). The Valued Living Questionnaire: Defining and measuring valued action within a behavioral framework. The Psychological Record, 60, 249–272.
Este artigo tem fins informativos e formativos; não substitui a avaliação nem o tratamento individualizado por um profissional de saúde mental.
