DBTDezembro 2025

Habilidades DBT no contexto do luto: tolerância ao mal-estar

Há momentos do luto em que a dor é tão intensa que não permite pensar nem conversar. As habilidades de tolerância ao mal-estar da Terapia Comportamental Dialética (DBT) oferecem recursos concretos para atravessar esses picos sem piorar a situação.

Dr. José Ignacio Cruz GaitánPsicólogo clínico · Terapias contextuais
Terapia online

Por que DBT no luto

A DBT foi desenvolvida para pessoas com regulação emocional muito exigida, mas seu módulo de tolerância ao mal-estar é útil em qualquer situação de dor aguda. No luto surgem ondas emocionais, muitas vezes desencadeadas por datas, cheiros ou canções, nas quais a pessoa precisa sobreviver à crise sem agir de forma impulsiva nem evitar tudo.

Habilidades de crise que costumam ajudar

Aceitação radical: o passo mais difícil

A aceitação radical consiste em reconhecer a realidade como ela é, incluindo a perda, sem aprová-la nem se resignar. Em sessão, costuma ser trabalhada com frases breves («isto é o que aconteceu», «dói porque importou»), com o corpo (relaxar a testa, abrir as mãos) e com muita validação. Convém introduzi-la com cuidado e não como uma exigência de «aceitar já».

Como integrá-las na prática

Uma sugestão prática é treinar as habilidades antes da crise, em sessões tranquilas, e construir com a pessoa uma «caixa de crise» com recursos personalizados. Também é importante avaliar o risco: se nos momentos mais intensos surgir ideação suicida ou comportamentos autolesivos, é necessário um plano de segurança e, conforme o caso, uma abordagem específica.

Para se aprofundar

  • Linehan, M. M. (2015). DBT Skills Training Manual (2.ª ed.). Guilford Press.

Este artigo tem fins informativos e formativos; não substitui a avaliação nem o tratamento individualizado por um profissional de saúde mental.